23/11/2010

Hoje, eu estou com as canelas doídas, mãos e pés sujos, cabelos empoeirados e fedidos, olheiras fundas e uma alegria imensa. Não sei o que é bem. Acho que pela primeira vez aquela história toda que eu acho linda de amor, trabalho e conhecimento, está se formando em sentido, está logo ali na esquina, e nunca me pareceu tão fácil abraçá-la e beijá-la insistentemente.
Hoje, eu quero abraçar e beijar um monte de gente que eu vejo por aí que brilha nas margens escuras. Acaba sendo bem fácil tudo isso, são tantos deles, só é preciso procurá-los.
Há também, hoje, aquela calma que o cansaço te dá, e então você toma um banho, e vê tudo claro.
Há um tanto de saudade de gente, e um pouco de gosto amargo de não ter compartilhado o sentir de hoje com essas, o que eu queria tanto e egoísta.


Este blog, não está legal. Exercício de ego, já bastam as outras besteiras da internet. Quero escrever sobre Permacultura e Somaterapia e mil outras coisas, vou em breve. Vou ouvir Amebix, porque me deu uma vontade louca agora, e dormir depois.

13/11/2010

Estavam todos eles bem trajados, sorridentes e dançando. As fêmeas, todas muito bem maquiadas, e exibindo suas prendas, prendas essas, muito pouco excitantes em relação às das minhas favoritas que moram nos romances do século XVIII. Alguns sorriram pra mim, e eu retribuí os sorrisos. Eu até tentei me inserir naquilo tudo, era bonito, rico, culto por vezes, e aparentava ser prazeroso, mas acho que não sou boa demais, ou ruim demais... Mas me encheu o saco. Quis mandar todos a puta que pariu. Saí, tranquei as portas e ateei fogo. Cuidei minuciosamente pra que não pudessem sair.

08/11/2010

Saudade louca de Caeiro




     Estou aqui folheando Roberto Freire, em "Viva eu, viva tu, viva o rabo do tatu!" atrás do momento exato em que ele me apresentou Alberto Caeiro, mas não encontro.


(...)


Encontrei!  Acho que foi logo aqui, que eu me entreguei a ele. Ele dizia assim:


"(...) Eu dizia que identificava, no meu inconsciente, as bases e os preceitos da Gestalt Terapia com algo que já sabia e já vivia por alguma coisa incorporada à minha vida desde os tempos de mocidade, inclusive antes de me interessar pela ciência.
     Foi lendo um artigo de Cláudio Naranjo, um dos teóricos mais cultos e profundos da Gestalt Terapia, que descobri ser o meu amor à Poesia a razão dessa familiaridade. O artigo de Naranjo era 'Centralidade no Presente: Técnica, Prescrição e Ideal'. E descobri que fora Fernando Pessoa, mais especificamente sob o heterônimo de Alberto Caeiro que, quando eu era muito jovem ainda ensinou-me os preceitos da vida boa que eu veria tantos anos depois analisados através da obra dos grandes poetas de todos os tempos no artigo de Naranjo.(...)"


     Assim disse ele, e continuou dizendo num longo capítulo, sobre como o mestre de Fernando Pessoa e de seus outros dois heterônimos, também se tornou o seu próprio. Quando eu li esse livro, acho que há um ano, eu estava totalmente engajada em pesquisar sobre Somaterapia, Gestalt Terapia, e já era fanzoca do Wilhelm Reich. E então, foi me apresentado em grande estilo Alberto Caeiro, hoje estimado. Mais um dos grandes guerreiros das couraças, o mais simples deles.
     O "guardador de rebanhos", homem de visão aparentemente ingênua e instintiva, entregue às sensações(copiei da companhia de bolso). É agora, pra onde eu corro, quando essa neurose gestáltica me pega de jeito. Nada melhor que essa simplicidade. Falei demais. As que mais me falaram alto hoje, 08/11/2010:








 
Navio que partes para longe,
Por que é que, ao contrário dos outros,
Não fico, depois de desapareceres, com saudades de ti?
Porque quando te não vejo, deixaste de existir.
E se se tem saudades do que não existe,
Sinto-a em relação a cousa nenhuma;
Não é do navio, é de nós, que sentimos saudade. 
--

Primeiro prenúncio de trovoada de depois de amanhã.
As primeiras nuvens, brancas, pairam baixas no céu mortiço, 
Da trovoada de depois de amanhã?
Tenho a certeza, mas a certeza é mentira.
Ter certeza é não estar vendo.
Depois de amanhã não há.
O que há é isto:
Um céu de azul, um pouco baço, umas nuvens brancas no horizonte,
Com um retoque de sujo embaixo como se viesse negro depois.
Isto é o que hoje é,
E, como hoje por enquanto é tudo, isto é tudo.
Quem sabe se eu estarei morto depois de amanhã?
Se eu estiver morto depois de amanhã, a trovoada de depois de amanhã
Será outra trovoada do que seria se eu não tivesse morrido.  
Bem sei que a trovoada não cai da minha vista,
Mas se eu não estiver no mundo.
O mundo será diferente —
Haverá eu a menos —
E a trovoada cairá num mundo diferente e não será a mesma trovoada.
 





Tem mais Caeiro aqui: http://www.revista.agulha.nom.br/alberr.html
Tem Cláudio Naranjo aqui: http://www.claudionaranjo.net/index_portuguese.html


Viva!

07/11/2010

Hoje é um bom dia. Estou em clima poético e tupiniquim. Botei o amor romântico pra fora. Estou me tratando razoavelmente.
Última sexta, na farra poética do Barkaça, lembrança pura e linda me veio, e eu quis compartilhar, mas o medo dos olhos me deteve.
Quando fazia a quarta série do ensino regular,eu tinha 9 aninhos e uma professora de literatura que, OBRIGAVA a mim e aos meus colegas, a ler 2 livros por semana e a escrever uma poesia também. No fim do ano, lançaríamos um livro com a melhor poesia de cada um. Infelizmente, não guardei as minhas poesias, e os exemplares do livro que tinha, desapareceram nessa minha vida nômade. Mas lembro muito bem da poesia de minha autoria que foi para o nosso livrinho. Lembro também o quanto fiquei nervosa na hora do nosso recital, eu tinha pegado chuva e meu cabelo estava feio, fiquei com medo. Eis:


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Hoje


Hoje é diferente de ontem
E é diferente de amanhã
Cada dia tem seu jeito
De começar pela manhã


Nunca acontece a mesma coisa
em dois dias diferentes
Podem aparecer soluções
ou problemas diferentes


Dia-a-dia, manhã bela
Hoje vamos começar
Uma maratona que acaba
Quando a noite vem a chegar


Dia-a-dia, noite bela
O dia já acabou
Foi embora mais um sol,
que nosso dia iluminou.


Gabrielle que ainda não era Rozz.


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*Primeiro indício de identificação com o Alberto Caeiro.

26/10/2010

Começo sem saber onde vai dar isso. Mas começo, tem que ter um começo. É como uma composição que começa fria e aos poucos vai ficando mais interessante, e daí começa a sair a parte proveitosa. Os dois primeiros minutos, dois minutos e meio, são quase sempre descartáveis. 

Não tenho uma vida interessante, não sou (mais?) engajada, não tenho saído de casa. Logo, não há muito o que escrever, já que a minha criatividade não tem sido despertada. Prometo começar a escovar os dentes com a mão esquerda pra ver se sai alguma coisa, tenho inveja dos canhotos. Ou ainda posso criar uns contos domésticos macabros, posso experimentar. Me dispus a jogar minha merda no mundo mesmo, então vai de qualquer jeito. Alguma coisa depois dos primeiros minutos deve dar pra resgatar.

Há aqui uma necessidade tremenda de falar, de gritar até. E há uma tentativa de excluir a vaidade das minhas manifestações.

Acho que o próximo passo é fazer amigos bloggers para compartilhar a vibe, e se sentir menos useless sem nenhum seguidor.




24/10/2010

Não se sabe, nem se imagina o que será feito desta página, nem se, se será feito alguma coisa desta página.